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Produção industrial volta a cair no IV trimestre de 2020 influenciada pela Covid-19

Produção industrial volta a cair no IV trimestre de 2020 influenciada pela Covid-19

O Índice de Produção Industrial caiu 1,8% no IV trimestre de 2020, influenciado pela queda de 12,1% na produção da indústria transformadora e pela diminuição de 18,4% na produção e distribuição de electricidade, de acordo com o Inquérito à Produção Industrial (IPI) do Instituto Nacional de Estatística (INE).

O Índice de Produção Industrial é o Indicador que mede a evolução da estrutura do valor acrescentado na indústria, em termos de volume de produção, num determinado período de tempo e espaço geográfico determinado. Depois de o indicador ter crescido em terreno positivo em termos homólogos no III trimestre de 2020 – o que dava sinais de uma ligeira recuperação da produção após os primeiros meses de confinamento – o que só aconteceu três vezes nos últimos cinco anos, agora voltou a cair.

A queda do indicador reconhecem os especialistas e empresários, é consequência da redução na distribuição de electricidade e da crise dos preços do petróleo no mercado internacional, falta de investimentos e da quebra do consumo causada pela crise da pandemia da Covid-19.

O economista José Lopes refere ser fundamental a eleição da distribuição de electricidade como actividade estratégica para o desenvolvimento da indústria em Angola, permitindo a redução dos custos operacionais das indústrias de diferentes categorias. Entende, por outro lado, que nas condições actuais, apesar de ser um sector que já registou uma certa estabilidade, antes da Covid-19, “não temos hipóteses de ter indústria real e são poucos os sectores industriais que podem suportar os custos de produção que envolvam fontes alternativas.”

Os relatórios do INE indicam que o sector da electricidade em 2013 – que é o sector onde o Estado tem investido mais na última década, na ordem das centenas de milhões de dólares – registou um crescimento de 33,6%. O aumento é justificado com os investimentos realizados, recorrendo às linhas de crédito do Brasil e da China. No entanto, nos últimos quatro anos os investimentos têm recuado, mas a oferta tem melhorado, apesar de em 2020 o desempenho ter sido desfavorável.

A extracção de petróleo (-12,0%) e de diamantes (-7,6%) afundou o resultado da indústria extractiva no IV trimestre de 2020 face ao mesmo período de 2019. O declínio da produção de petróleo (que contribui para 33% do PIB angolano e 94% das exportações) continua a pesar na economia nacional.