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Trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Benguela iniciam greve por tempo indeterminado

Trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Benguela iniciam greve por tempo indeterminado

Mais de 1.300 trabalhadores do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB), emquatro províncias angolanas, iniciam nesta quinta-feira, 6, uma greve por tempo indeterminado, depois da empresa recusar um aumento salarial de 25 por cento este ano e 25 por cento em 2022.

A paralisacao, que arranca no último dia da greve na administração pública, também está envolta em denúncias de ameaças e representa ainda um protesto contra irregularidades na cesta básica.

À VOA, o líder sindical da empresa, Leonardo Saculembe, diz que a entidade patronal declinou duas das principais exigências de um vasto caderno reivindicativo.

“Falam em pontos inegociáveis, o aumento de salário e a cesta básica, que já leva 16 meses de atraso. Eles querem dar de três em três meses, mas o Governo cabimenta para todos os meses”, explica o sindicalista, quem lamenta o que considera ser clima de intimidação.

“Na declaração, só para vermos, o presidente do Conselho de Administração chamou a policiar para nos dispersar, mas o comandante contornou a situação”, revela.

Contactado pela VOA, o presidente do Conselho de Administração, Luís Teixeira, disse que, por ora, não há reacções.

Um comboio diário entre Benguela e Lobito e outro entre o Kuito, no Bie, e o Luau, Moxico, são os serviços mínimos a serem garantidos pelo sindicato.

A propósito deste e outros movimentos reivindicativos, o activista cívico João Guerra, evangelista da Igreja Católica, olha para o custo de vida e refere que os trabalhadores até foram simpáticos para com as autoridades.

“O povo, neste caso o trabalhador, já foi um pouco tolerante para com o Governo, porque o custo de vida já se alastra há um bom tempo, o Governo ficou acomodado nos salários, agora está a sentir um alerta, deve estudar os sinais dos tempos”, avisa Guerra.