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Comida básica para um mês custa 250 mil Kz a uma família de cinco pessoas

Comida básica para um mês custa 250 mil Kz a uma família de cinco pessoas

Em Fevereiro de 2021, uma família angolana de cinco pessoas precisava de 250 595,35 Kz para comprar a cesta básica, segundo o Relatório Mensal de Preços, Produtos em Regime de Preços Vigiados, referente a Fevereiro de 2021, divulgado recentemente pelo Instituto de Gestão dos Activos e Participações do Estado (IGAPE) com base e dados recolhidos pelo Ministério das Finanças (MinFin) e pelas delegações provinciais de Finanças.

Compõem a cesta básica do MinFin 18 produtos: 17 alimentares – desde o pão à fuba de mandioca e de milho, passando pela massa, óleo alimentar, lambula e coxa de frango – mais o sabão em barra. Os 18 produtos considerados são os bens essenciais pertencentes ao regime de preços vigiados. As quantidades de cada produto consumidas mensalmente foram encontradas a partir do perfil de consumo alimentar e a análise nutricional estabelecidos pela estratégia nacional de segurança alimentar e nutricional.

Considerando que a família média angolana tem 5 pessoas, em Fevereiro de 2021 o custo da cesta básica por pessoa rondava os 50 mil kz. O INE realizou o Inquérito às Despesas e Receitas, entre Março de 2018 e Fevereiro de 2019, e concluiu que em média um angolano gastava 8,4 mil Kz com a alimentação e bebidas a preços de 2018.

Mesmo considerando o aumento dos preços de 2018 para cá, a comparação do custo da cesta básica do MinFin com o que o INE diz que os angolanos efectivamente consomem sugere que o nível de consumo dos angolanos está muitos furos abaixo do recomendado pela estratégia nacional de segurança alimentar e nutricional.

Comparando o custo da cesta básica com os salários da função pública conclui-se que só a partir da categoria técnico superior é que o salário base chega para comprar a cesta básica. O custo da cesta básica é 6,5 vezes superior ao salário base de um operário não qualificado.

Evolução dos preços da cesta básica

E o custo da cesta básica do MinFin pode estar subavaliado. O Vanguarda visitou alguns supermercados e mercados informais em Luanda e constatou os preços de alguns produtos estão muito acima do referido no relatório do IGAPE mesmo tendo em conta o aumento de preços de Fevereiro para cá.

O preço da coxa de frango começa nos mil Kz o Kg no mercado informal sobe para 1 195 no Alimenta Angola e chega aos 1 767 na Maxi. Na cesta básica do MinFin a coxa de frango está avaliada em 500 Kz o kg. O IPC de Março do INE está mais próximo da realidade apontando para 1 272,5 kz o Kg.

O preço das fubas de milho e mandioca também poderão estar subavaliados na cesta básica do MinFin. A ronda do Vanguarda apurou que a fuba de milho custa 500Kz no mercado informal do Zango e 525 Kz no Alimenta Angola, contra os 362,38 Kz avançados pelo MinFin.

Com a fuba de bombó sucede o contrário, custa 430 Kz o Kg nos supermercados Arreiou e 749 Kz na Maxi. O MinFin fala em 263,44 Kz o Kg.

Relativamente à sardinha vulgarmente conhecida por lambula, peixe que faz parte da dieta alimentar da maioria dos angolanos, o seu custo varia entre 500 Kz no mercado informal e 1 258,3 Kz em média nos pontos de venda formais visitados pelo Vanguarda. As Finanças estimavam em Fevereiro um preço de mil kwanzas.

Quanto ao óleo alimentar o preço actual vai de 1 290 KZ no Arreiou a 1 790 na Maxi, o que compara com os 1 439,29 da tabela do MinFin.

O sal custa em média 258 Kz nos supermercados visitados pelo Vanguarda menos do que os 281,44 Kz apurados pelo MinFin. A farinha de trigo custa 392,9 kz no relatório do MinFin, contra uma média de 625,8 Kz nos supermercados visitados pelo Vanguarda.

O custo da cesta básica do MinFin tem de ser analisado com cautela, pois é o dobro da cesta básica calculada pela União Nacional dos Trabalhadores Angolanos-Confederação Sindical (UNTACS) que ronda os 125 mil Kz de cordo com Manuel Viage, presidente da organização.

O salário mínimo mais alto não ultrapassa os 21,5 mil Kz menos de 20% do custo da cesta básica nota o sindicalista.

O custo da cesta básica está cada vez mais alto devido à inflação. Para o secretário da UNTA- CS, a culpa do aumento dos preços dos produtos da cesta básica é a taxa de câmbio. Argumenta que os produtos que compõem a cesta básica são importados e indexados ao dólar. Para poderem importar e completar os ciclos de compra e venda, os comerciantes têm que indexar os preços ao dólar para recuperar o investimento que fazem com a importação dos produtos.

Os trabalhadores perderam o poder de compra porque os salários não estão indexados ao dólar e faz três ou quatro anos que não estão ajustados, alerta o líder sindical ao mesmo tempo que apela para o maior incentivo na produção nacional para baixar a inflação.

Já para o IGAPE) o que faz aumentar os preços são factores estruturais como a diminuição brusca da produção nacional, devido a recente estiagem que assolou o País, o aumento dos custos de produção, distribuição e comercialização devido às restrições impostas em todo o mundo, para evitar a propagação da pandemia da COVID-19.