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Pouca oferta de transportes públicos entrava combate à Covid-19

Pouca oferta de transportes públicos entrava combate à Covid-19

Depois de muito tempo à espera de transporte para regressar a casa, a fadiga vence Maria Manuela, que esquece as medidas de segurança e entra num táxi lotado, onde não é respeitado o limite máximo de 75% de ocupação imposto pelas regras da situação de calamidade pública em vigor desde segunda-feira, 10 de Maio, para conter a propagação da Covid-19 em Luanda.

A realidade vivida por esta mulher é comum à maioria dos cidadãos que utilizam os transportes públicos para se deslocarem, sobretudo nesta fase de restrições. Paragens com grandes ajuntamentos de passageiros é o cenário que se observa, sobretudo nas zonas suburbanas da capital, onde a luta por espaço é diária e dura.

Nas paragens as medidas de protecção contra a Covid-19, na maioria das vezes, não são observadas, aumentando assim a possibilidade de contágio, numa altura em que as autoridades manifestam preocupação com o aumento dos casos positivos da Covid-19, que desde as últimas semanas de Abril não param de crescer. Mas a necessidade de garantir uma vaga no transporte público fala mais alto do que o receio da doença.

“O que interessa é chegar a casa. Quanto mais cedo melhor porque à medida que as horas avançam o transporte fica mais difícil”, explica Maria Manuela.

De acordo com a funcionário pública, o cenário vivido ao final do dia não é diferente do que o que se vive de manhã. “De manhã, a situação é idêntica. Vimos todos apertados e, se for um dia de chuva, a situação piora”, esclarece.

Ideia reforçada por Francisco Pedro, trabalhador numa empresa de segurança. “Todos os dias é a mesma coisa. Os transportes são poucos”, sublinha.

O morador de Viana explica que a necessidade fala mais alto. “Se esperares por um transporte vazio não chegas a tempo ao trabalho. Se atrasas descontam-te no final do mês e como o vencimento é pouco temos mesmo de nos apertar nos táxis ou nos autocarros, remata.

A dificuldade de mobilidade em Luanda não é uma coisa nova, como admitem as operadoras de transportes públicos, mas defendem-se com as características de circulação.

“Circular em Luanda ainda é um caso sério de estudo. Os transportes públicos enfrentam enormes dificuldades na sua actividade diária. Nas vias não existem faixas específicas para os autocarros”, aponta o responsável de uma das transportadoras que operam em Luanda. O estado das vias também é apontado como uma das causas para o problema da mobilidade na cidade. “