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Diplomacia angolana espera solução para África

Diplomacia angolana espera solução para África

Téte António, ministro angolano das relações exteriores, admite que o presidente João Lourenço tem encontro bilateral com o seu homólogo anfitrião Emmanuel Macron. Este recebe, aliás, os demais estadistas que participam na cimeira. O chefe de Estado angolano deve avistar-se com uma série de entidades do presidente sul-africano ao primeiro-ministro português.PUBLICIDADE

O chefe da diplomacia de Luanda admite preocupação com a situação em Cabo Delgado. Téte António lembra que Moçambique, fazendo parte dos PALOP (Países africanos de língua oficial portuguesa) e da CPLP (Comunidade dos países de língua portuguesa) têm contactos muito regulares.

O ministro angolano lembra que Moçambique é um Estado soberano, mas que o terrorismo preocupa a África austral e que a SADC (Comunidade para o desenvolvimento da África austral) se tem implicado no dossier.

Quanto à deslocação, adiada devido à pandemia, de Emmanuel Macron a Angola o governante garante que ela continua de pé, mas por ora ainda sem data definida.

Téte António garante que a cimeira de Paris vai muito além de anúncios de financiamentos por parte do FMI, Fundo monetário internacional, e que, sendo um palco internacional, pode ser capitalizado para encontros com dirigentes empresariais.

O ministro angolano lembra que África espera uma “solução” para fazer face à crise económica com que o continente se depara e, nomeadamente, um “fluxo de investimento privado e um apoio ao sector privado africano que é considerado como, também, um motor para este modelo que se pretende”, afirma.

Para minorar o recuo do PIB (Produto interno bruto) africano o FMI, mas também outras organizações devem anunciar financiamentos que permitam ao continente enfrentar o impacto económico da pandemia.

Téte António apela a que se disponibilize mais vacinas a África, a grande preocupação do continente. “Ou nos afundamos todos juntos ou salvamo-nos todos“, afirmou.

O ministro apela a que se complete o dispositivo Covax com outras vacinas, numa altura em que a escasssez de vacinas é “uma grande preocupação, uma urgência“.

Angola que, através do dispositivo Covax obteve vacinas da AstraZeneca, conseguiu vacinas doadas pela China e comprou, também, vacinas russas da Sputnik V.

O mundo inteiro está afectado, e hoje em dia nenhum país está isolado. Angola não é uma peça isolada da e economia mundial. O impacto que há na economia mundial tem repercussões também na nossa, em todos os sectores. Todos os sectores estão a sofrer também deste impacto. Portanto nenhum país sobreviveu a isto.” 

Quanto ao risco de as receitas do fórum de Paris passarem por um ainda maior endividamente africano o chefe da diplomacia de Luanda alega que há outras soluções inovadoras que lhe permitam sair desta crise de forma “controlada” que lhe garantam um “desenvolvimento sustentável“.

O apelo de 15 de Abril de 2020 para garantir um acompanhamento das economias africanas, subscrito também pelo presidente francês, foi uma iniciativa a que Angola se juntou desde logo, explica o dirigente angolano, com iniciativas concretas, como este fórum de Paris, um encontro do qual se esperam resultados.