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Lucros da banca caem 32% para 362 mil milhões Kz sem contar com prejuízo histórico do BPC

Lucros da banca caem 32% para 362 mil milhões Kz sem contar com prejuízo histórico do BPC

Os lucros dos bancos que apresentaram os relatórios e contas de 2020 afundaram quer as contas sejam feitas com ou sem os resultados do BPC. Sem as contas do maior banco público, os lucros dos 20 bancos comerciais que publicaram as contas sofreram uma queda de 32% para 362 mil milhões Kz. Se for contabilizado o BPC, o agregado dos resultados líquidos resulta num prejuízo de quase 163 mil milhões Kz.

É a primeira vez pelo menos desde 2010 que o conjunto dos bancos obtiveram prejuízos. E a “culpa” é do BPC, que registou um resultado líquido negativo de 552 milhões Kz. Se já não bastava a crise do malparado que tem afectado a quase generalidade dos bancos e que voltou a estar na base do reconhecimento de imparidades em 2020, o ano passado foi também marcado pelo downgrade da dívida soberana. Com carteiras de activos altamente expostas a títulos de dívida pública, os bancos, sobretudo os maiores, foram obrigados a reconhecer imparidades devido à descida do rating, o que também prejudicou os resultados.

Se a queda em Kwanzas é substancial, em dólares é ainda maior. Sem contabilizar os resultados do BPC, os lucros das restantes 20 instituições bancárias que publicaram nos seus sites os resultados até esta quarta-feira caem para a metade, ou seja, saem de 1.106 milhões USD em 2019 para 552 milhões USD.

Analistas consultados pelo Expansão alertam para a elevada exposição dos maiores bancos a títulos de dívida pública, já que é para este tipo de activos que têm canalizado os seus investimentos, já que os seus juros elevados tem permitido um elevado rendimento. Só que em 2020 foram “penalizados”.

A própria gestão dos bancos comerciais admite este cenário nos relatórios e contas de 2020. É o caso do Banco Angolano de Investimento (BAI), que viu os seus lucros caírem 76% para 28,7 mil milhões Kz.

Na mensagem conjunta do PCA e do PCE que acompanha o balanço do ano passado, os responsáveis admitem que, entre outros, o resultado líquido caiu devido à redução em 9% da margem complementar, do aumento em 31% dos custos de estrutura, do aumento das imparidades para crédito e outros activos, relativos aos investimentos em dívida pública, e o impacto fiscal associado à anulação de impostos diferidos activos.