Como poupar em tempo de pandemia?

Como poupar em tempo de pandemia?

Face ao cenário actual dominado pela crise provocada pela Covid-19, as empresas se vêem obrigadas a fazer constantes despedimentos, agravando a já difícil condição financeira de famílias, que ficam privadas de rendimentos, de forma repentina, e têm de repensar na melhor maneira de a volta à situação.

Jucélia Gabriel, contabilista com experiência de quase uma década no sector financeiro, sugere que entre as várias estratégias para uma boa poupança, antes de tudo, é importante que se qualifique o património e se crie um orçamento familiar.

A especialista formada em Contabilidade e Administração pela Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica de Angola (UCAN), basea-se no princípio de que “não se gere o que não se mensura”, defendendo, por isso, ser necessário se fazer um levantamento de todos os bens, bem como das obrigações que ainda tem por cumprir, de forma a ter uma fotografia real do património líquido.

“Tendo quantificado o seu património, é importante criar um orçamento familiar, procurando descrever o total de rendimentos e despesas mensais do seu agregado, por forma a poder identificar oportunidades para aumentar rendimentos e repensar hábitos de consumo”, indica.

Outra sugestão apontada pela educadora financeira é a criação de uma reserva de emergência para as famílias pois , diz, imprevistos acontecem, sejam problemas de saúde, perda de emprego ou danos materiais e nem sempre é possível contar com a ajuda de terceiros em meio a estas situações. “Comece a investir de forma a obter rendimento passivo, porque mesmo em cenário de pandemia ainda é válido pensar em começar a investir e, sobretudo, investir de forma a adquirir rendimento passivo, que poderá vir a substituir a necessidade de rendimentos provenientes de um emprego em um cenário de longo prazo”, aconselha.

Jucélia Gabriel, defende a ideia da importância de as pessoas não apenas apegarem-se a necessidade de auferir salários, mas focarem-se na obrigação de criar fontes de rendimento. Refere que, apesar de existirem produtos financeiros com custos a partir dos 5.000 kz, estes investimentos podem inicialmente não fazer tanto sentido para pequenos aportes de capital, sendo que existe do outro lado a possibilidade de com o mesmo montante ter um retorno muito superior e de forma mais célere, se os mesmos optassem pela criação de pequenos negócios.

Por outro lado, acrescenta, “não faltam opções de pequenos negócios em Angola”. Especialmente para os níveis sociais mais baixos, prossegue, existe a possibilidade de se criar negócios com pouco ou nenhum montante, apontando como exemplo a prestação de serviços básicos domiciliares e revenda de produtos de produção nacional, como os da área da agropecuária e pescas.

A educadora financeira considera que  pequenas mudanças dentro dos orçamentos familiares e nos hábitos de consumo, podem melhorar “significativamente” a situação financeira das famílias, pois além da necessidade de cuidar da saúde física, “a pandemia veio alertar sobre a necessidade de cuidar da saúde financeira”, lembrando que “crises sempre vão existir, mas que o mais importante se estar preparado de forma a lidar com ela.