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Lourenço determina limpeza na Casa de Segurança, mas analistas duvidam

Lourenço determina limpeza na Casa de Segurança, mas analistas duvidam

Analistas angolanos manifestam-se cépticos em relação à aplicação prática da ordem de limpeza do pessoal fantasma no sector castrense, dada na terça-feira, 1, pelo Presidente da República.

João Lourenço exigiu do general Francisco Furtado, novo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, “mudanças radicais” no cadastro dos efectivos de todos os órgãos de Defesa e Segurança Nacional.

Segundo o Chefe de Estado, uma das tarefas do novo ministro será “limpar todo o efectivo fantasma” que existe nos órgãos de Defesa e Segurança.

Lourenço disse que os últimos acontecimentos ocorridos em Luanda demonstram a saída de dinheiros públicos dos bancos, de forma fraudulenta, que estão a engordar o “caranguejo”, numa referência à operação de investigação que possibilitou a apreensão de milhões de dólares e kwanzas, assim como milhares de euros, imóveis, viaturas e outros bens, em posse o major Paulo Lussaty, funcionário da Casa de Segurança.

Entretanto, tanto o jornalista Ilídio Manuel como o jurista Pedro Capracata consideram que é mais uma medida que não vai trazer os resultados esperados enquanto o combate à impunidade e à corrupção continuar a ser selectivo.

Capracata minimiza o alcance da limpeza ao sector anunciada por João Lourenço, afirmando que a troca de quadros operada pelo Presidente da República resulta de velhas intrigas internas no seio da Casa de Segurança.

Aquele jurista considera, entretanto, que a ordem dada por João Lourenço ao general Francisco Furtado e seus imediatos, “tem um alcance fora do comum porque visa fazer com que a população pense que alguma coisaestava mal e agora vai mudar”.

Para o jornalista Ilídio Manuel, a ordem do Presidente devia ser acompanhada de uma profunda sindicância à Casa de Segurança para determinar as causas e a dimensão do escândalo financeiro que envolve o major Pedro Lussaty.

Ilídio Manuel diz que o escândalo financeiro “desvenda as fragilidades do próprio sistema” e põe em causa a confiança que a sociedade deposita na Presidência da República “que constitui o nervo do poder”.

Limpeza de fantasmas

Ao intervir na cerimónia de empossamento do novo homem forte da Casa de Segurança, João Lourenço exigiu a Francisco Pereira Furtado coragem e vontade de mudar “radicalmente” a metodologia de controlo dos efectivos dos órgãos de Segurança no país.

“Tal como no quartel, na parada, quando se chama pelo soldado, o soldado responde presente. Uma das suas missões é chamar os efectivos para que todos respondam presente”, realçou.

João Lourenço lembrou que todos aqueles que recebem salários do Estado devem, necessariamente, estar presentes.

“A não acontecer isso, podemos concluir, imediatamente, que estamos perante a um efectivo fantasma”, afirmou.

“Operação Caranguejo”

No quadro da “Operação Carangueijo”, cujas investigações estão em curso, foi detido o major das Forças Armadas Angolanas (FAA), Pedro Lussaty, enquanto vários oficiais generais, com cargos de alta responsabilidade, na Casa de Segurança do Presidente da República, foram exonerados, nos últimos dias.

Lourenço defendeu a necessidade de se pôr fim a tais práticas nocivas, contando, também, com a colaboração de toda sociedade.

Neste sentido, o Chefe de Estado angolano defendeu maior rigor e transparência dos gestores bancários na gestão do erário.

“Os comportamentos e procedimentos da banca não são normais, precisamos de mudar”, alertou o Chefe de Estado, quem exigiu uma acção mais forte e contundente por parte do banco central e da Unidade de Informação Financeira.

As medidas não são apenas para punir ou castigar os bancos prevaricadores mas, sobretudo, montar um mecanismo que garanta a prevenção do crime”, concluiu o Presidente angolano.