Mais de 600 crianças morreram nos últimos quatro meses deste ano

Mais de 600 crianças morreram nos últimos quatro meses deste ano

Um total de 609 crianças morreram, de Janeiro a Abril deste ano, no Banco de Urgência do Hospital Pediátrico David Bernardino, devido a complicações de várias doenças, com realce para a malária, que lidera o número de casos. Os dados foram avançados, ontem, em Luanda, pelo director daquele unidade sanitária.

Ao fazer a apresentação de um relatório referente à actividade assistencial do Hospital Pediátrico David Bernardino, a propósito da visita efectuada pelo provedora da Justiça, Florbela Araújo, Francisco Domingos disse que a unidade sanitária atende, por dia,  mais de 500 crianças, dos quais 70 a 80 são internadas com várias patologias, sendo a malária e as doenças respiratórias agudas as mais frequentes.

No que toca à taxa de mortalidade, explicou que varia em média entre oito a dez  crianças por dia, mas há crianças que chegam a falecer. “Na sua maioria, 50 por cento morrem nas primeiras 48 horas, porque chegam num estado grave da doença”.

Em 2019 deram entrada no hospital 2.552 casos de malária, 114 dos quais terminaram em óbito, 2.849 com doenças respiratórias agudas, 1.197 com diarreicas agudas e 113 casos de meningite.      
Francisco Domingos informou ainda que quanto à actividade cirúrgica e a unidade de endoscopia digestiva, foram efectuadas 4.709 intervenções, sendo 3.338 de urgência e 1.371 de rotina. Houve também 450 intervenções de ortopedia, 114 de neurocirúrgica e 18 intervenções de maxilo-facial.

Na unidade de endoscopia digestiva e respiratória, foram extraídas no organismo de crianças 130 moedas metálicas, 15 pilhas, 37 outros corpos estranhos e registadas 63 intoxicações por cáusticos.

Do relatório constam ainda a realização de 61 dilatações do esófago, 88 endoscopias digestivas altas, 46 colonoscopias e 10 biopsias hepáticas.   
De acordo com o director-geral, no Centro de Hemodiálise do hospital pediátrico, que  funciona desde 2019, foram realizadas 296 sessões, sendo 133 a 24 doentes com insuficiência renal aguda e 163 a 10 doentes com insuficiência renal crónica. Sublinhou que, no mesmo ano, a unidade sanitária levou a cabo actividades pedagógicas que culminaram na formação de 33 especialistas em pediatria.

“Embora temos desenvolvidas acções formativas, ainda assim nos deparamos com o grande desafio para a formação de sub-especialistas em neonatologia, hematológia, oncologia, nefrologia, cardiologia, neurologia e pediatria do desenvolvimento gastrenterologia”, precisou Francisco Domingos.  
O director-geral da pediátrica considerou alta à procura de pacientes, tendo em conta  a estrutura e o número de médicos e enfermeiros naquela unidade. Disse que actualmente o hospital conta com 513 profissionis, sendo 61 médicos, 238 enfermeiros, 65 técnicos de diagnostico, além do pessoal auxiliar. 

O responsável notou que, apesar das melhorias que se vêm registando, o Hospital David Bernardino carece de meios de emergências no Banco de Urgência, como kit de ortoscópio, incubadora de transporte para recém-nascidos (pré-termo), aparelho de fototerapia e outros tipos de equipamentos.

Mais apoios

A provedora da Justiça, Florbela Araújo, acompanhada do director-geral do hospital percorreu diversas áreas daquela unidade, onde recebeu informações sobre o funcionamento do mesmo.
Em declarações à imprensa, a magistrada apelou às autoridades competentes para a necessidade da construção de mais um bloco de apoio àquele hospital, devido a alta  procura de pacientes.

“Saio daqui com boa impressão no que diz respeito a prestação dos serviços das  equipas médicas. Pensamos ser necessário, cada vez mais, o auxílio das áreas, particularmente nesta fase da pandemia, em que o nível da natalidade aumenta a tendência, que recai para o aumento do número de crianças que acorrem ao hospital pediátrico” alertou,  Florbela Araújo lamentou a retirada de alguns apoios de bens de primeira necessidade que a Sonangol prestava ao hospital que, de certo modo, ajudava a suprimir algumas necessidades alimentares aos pacientes e seus familiares. 

Para a provedora da Justiça, o trabalho desenvolvido no David Bernardino mostra que há vontade do Ministério da Saúde, particularmente da direcção do hospital em  melhorar a prestação e assistência à criança.