• Post category:Mercado

Comida aumentou 30% no último ano continuando a pressionar inflação

Comida aumentou 30% no último ano continuando a pressionar inflação

Os preços em Angola aumentaram 2% em Maio face a Abril, pressionados pela subida do custo da comida em 2,5%, elevando a inflação acumulada nos primeiros cinco meses para 9,8% e a anual para 24,9%, revelou este sábado o Instituto Nacional de Estatística (INE).

A taxa acumulada até Maio é praticamente igual à de 2020, enquanto a anual subiu pelo segundo mês consecutivo e está agora ao nível mais alto deste ano. Já a inflação média que serve de base as negociações salariais fixou-se nos 24,3%, sendo necessário recuar a Abril de 2018 para encontrar uma taxa tão elevada.

O aumento do custo de vida está a ser particularmente violento em Luanda onde os preços aumentaram 2,2% em Maio face a Abril, pressionado pelos preços dos alimentos e das bebidas não alcoólicas que subiram 2,5%. Em termos acumulados, nos cinco primeiros meses do ano os preços aumentaram 11,7%, o valor mais alto desde 2016, enquanto a inflação anual subiu pelo 19º mês consecutivo para 28%, máximo desde Outubro de 2017.

As províncias que registaram maior aumento de preços foram: Zaire com 2,4%, Lunda Sul e Uíge com 2,2% cada e Luanda com os referidos 2,2%. Por seu turno as províncias com menor variação nos preços foram: Moxico com 1,7%, Cunene com 1,7%, Huambo com 1,7% e Bié com 1,6%.

A inflação galopante está a agravar o nível de desconforto económico dos angolanos. A inflação de 24,9% em Março de 2021 somada à taxa de desemprego de 30,5% no primeiro trimestre de 2021, coloca o índice de miséria económica em Angola nos 55,4%, um dos mais elevados entre os países que publicam estatísticas de inflação e desemprego.

Das 12 classes que servem de base para o cálculo da inflação nacional, a classe alimentação e bebidas não alcoólicas com 2,5% foi a que registou o maior aumento de preços, segue-se a classe da Saúde com 2,1%, bens e serviços diversos com 2,1% e o vestuário e calçado com 1,9%.

Os preços continuam assim a subir aonde dói mais aos angolanos. Além de liderar a inflação mensal a classe de alimentação e bebidas lidera também a inflação anual. Em termos homólogos em Maio os preços dos alimentos aumentaram mais de 30,6%. A comida representa 56% do orçamento das famílias angolanas.

A inflação galopante está a retirar o poder de compra às famílias angolanas já que o aumento dos preços não é compensado pelo aumento salarial. De acordo com cálculos do Mercado, desde meados de 2014 quando o petróleo começou a descer provocando uma crise sem precedentes, o poder de compra do salário mínimo caiu 62,1%.

Por isso o economista Eduardo Manuel defende a revisão da tabela salarial através de uma concertação entre as partes envolvidas, nomeadamente, o Estado, as empresas, e os sindicatos, entre outros. A inflação de Maio confirma que os preços em Angola estão fora de controlo e dá razão a quem duvida da nova meta do Banco Nacional de Angola (BNA).

Na última reunião o Comité de Política Monetária (CPM) reviu em alta a inflação anual de 2021 de 18,7% para 19,5%. Para que essa meta seja atingida é necessário que os preços aumentem ao ritmo de 1,2% ao mês. Ou seja, para que a meta seja cumprida, nos próximos 7 meses a inflação média mensal precisa de baixar 36% face à média dos primeiros cinco meses do ano. O economista Wilson Chimoco acredita que o BNA não conseguirá atingir esta meta tendo em conta as actuais condições do mercado.

Estiagem, dificuldades de transportação dos produtos do campo para a cidade, devido à pandemia e ao mau estado das estradas, e limites às importações estão a provocar constrangimentos à oferta de produtos agrícolas, consideram os analistas. Neste contexto a política monetária nada pode fazer para baixar a inflação, queixou-se o governador do BNA.

Aos problemas elencados pelos analistas, Wilson Chimoco acrescentou os níveis de depreciação cambial dos últimos três anos bem como a especulação por operadores no mercado.

Para resolver os constrangimentos da oferta é necessário em primeiro lugar que haja aumento da produção interna, defende por seu turno Eduardo Manuel. Se esta não for suficiente, devemos optar-se pela importação, embora esta esteja condicionada pela disponibilidade de moeda estrangeira, considera.

Na opinião do economista, o cumprimento da meta estabelecida pelo BNA vai depender dos resultados dos investimentos para a diversificação da economia em curso.

“Caso os resultados não sejam satisfatórios, a meta não deverá ser cumprida”, precisou.

Manuel diz que é necessário intensificar o financiamento às empresas, sobretudo às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), reestruturar e capitalizar as empresas públicas. Muitas empresas públicas não participam no processo de diversificação da economia por falta de liquidez, garante.