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Câmara de Lisboa também denunciou (ao MPLA) angolanos

Câmara de Lisboa também denunciou (ao MPLA) angolanos

O MPLA (Angola se quisermos ser ingénuos), através das representações diplomáticas, foi o segundo país mais notificado pela socialista Câmara Municipal de Lisboa sobre os promotores das manifestações antigovernamentais, nomeadamente em 2015, quando um grupo de activistas esteve preso em Luanda, entre eles Luaty Beirão.

De acordo com o relatório preliminar da auditoria solicitada para averiguar os processos de comunicação prévia, depois de conhecida a divulgação de dados de activistas a países terceiros, o consulado e a embaixada Angola foram informados um total de nove vezes sobre promotores das manifestações na cidade de Lisboa.

Em 2015, a autarquia lisboeta notificou o consulado e a embaixada por quatro vezes, devido a concentrações solidárias com jovens activistas angolanos detidos em Luanda, conhecidos como ‘revus’, que incluem Luaty Beirão, o mais mediático do grupo que fez uma greve de fome de protesto.

Em 2021, a embaixada foi notificada por uma ocasião, relativa a uma manifestação de cidadãos “não conformados com o quadro sócio político de Angola”, segundo o relatório camarário.

Em 2020, três manifestações pela democracia e a exigir o “cumprimento do programa político eleitoral” foram objectos de notificação.

Além de Angola, o relatório deu informações sobre manifestantes a representações diplomáticas de outros países de língua portuguesa, com destaque para o Brasil, em oito ocasiões.

Segundo os serviços camarários, as manifestações foram mais diversas, desde questões de atrasos nos procedimentos consulares e acções de protesto contra o actual Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, ou a ex-chefe de Estado Dilma Rousseff.

Guiné-Bissau (três vezes), São Tomé e Príncipe (1) e Moçambique (1) são outros países que foram notificados de acções de protesto em Lisboa.

O município da capital portuguesa (dirigido pelo PS, partido irmão do MPLA na Internacional Socialista) divulgou, na noite de quarta-feira, o relatório preliminar da auditoria solicitada para averiguar os processos de comunicação prévia, depois de conhecida a divulgação de dados de activistas a embaixadas, nomeadamente, da Rússia, e que gerou críticas em catadupa de várias forças políticas e organizações de defesa dos direitos humanos.

O relatório explicita que em 2012, na sequência da publicação da legislação referente à tramitação de avisos de manifestações, a Câmara de Lisboa elaborou um protocolo para o tratamento destes dados, no qual está patente a necessidade de o município comunicar às embaixadas a ocorrência de manifestações.

Contudo, o “protocolo em questão não é claro relativamente ao teor do que deveria ser comunicado as embaixadas, embora tenha sido interpretado pelos serviços no sentido de que seriam os avisos propriamente ditos, na íntegra, que deveriam ser remetidos”, elucida o documento preliminar.

A Câmara de Lisboa ainda não conseguiu averiguar as razões para a persistência desta prática apesar das alterações introduzidas em 2013, mas acrescentou que a prática se manteve “em vigor de forma relativamente uniforme, e foi aplicada aos vários pedidos de manifestação”.

Em algumas circunstâncias verificou-se que a comunicação sobre as manifestações “foi não só remetida para as embaixadas junto às quais se iria realizar a manifestação, mas também, e essencialmente a partir de 2018, àquelas relacionadas com o objecto da mesma”.

Bajuladores unidos, cá e lá

Um voto de pesar pelas dezenas de mortes provocadas pela Polícia do MPLA durante uma manifestação na vila de Cafunfo foi proposto, no Parlamento português, pelo CDS-PP e foi rejeitado. Depois de pedirem instruções ao MPLA, PS, PSD e PCP votaram contra. O Bloco de Esquerda meteu o rabinho (convertido) entre as pernas e saiu da Assembleia antes da votação.

A comissão (par)lamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas rejeitou no passado dia 16 de Março um voto de pesar pelas mortes (massacre cometido pela Polícia do MPLA) que ocorreram numa manifestação na vila de Cafunfo, na província de Lunda-Norte.

A vila mineira de Cafunfo, município do Cuango, leste de Angola (onde os deputados portugueses não sabiam que viviam angolanos) centralizou as atenções das autoridades e membros da sociedade civil na sequência de incidentes de 30 de Janeiro, que as autoridades consideraram como “acto de rebelião” e outros descrevem como “manifestação pacífica“.

Cidadãos locais e outros elementos da sociedade angolana lamentam a “débil” condição socioeconómica, com reflexos negativos nas famílias, daquela região rica em recursos mineiros, facto que tem motivado “reivindicações por melhores condições de vida”.

Segundo a Polícia angolana (do MPLA), cerca de 300 pessoas ligadas ao Movimento do Protectorado Português Lunda Tchokwe (MPPLT), que há anos defende a autonomia da região, tentaram invadir, na madrugada de 30 de Janeiro, uma esquadra policial de Cafunfo, e em defesa, as forças de ordem e segurança mataram primeiro mais de 20 cidadãos e dispersaram depois os manifestantes.

A versão policial é contrariada pelos dirigentes do MPPLT, partidos políticos na oposição, sociedade civil (incluindo a Igreja Católica) e entidades internacionais como a União Europeia e a Amnistia Internacional que falam em mais de uma dezena de mortos numa tentativa de manifestação.

Como muito bem recordaria, se fosse necessário, a vergonha coligação portuguesa (PS, PSD, PCP e BE), a legislação angolana preserva a propriedade privada, razão pela qual o proprietário da região de Cafunfo (bem como de todo o país e até de grande parte de Portugal), o MPLA, tem legitimidade, autoridade e meios bélicos para a impedir a entrada de bandidos, terroristas e outros criminosos em qualquer parte do reino.

Estranha-se que os responsáveis da polícia do MPLA tenham conseguido contar os manifestantes, apontando os tais 300. Isto porque, nas aulas de “educação patriótica”, só aprenderam a contar até dez (10). Para além deste número têm de usar os dedos dos pés, o que significa que foram muitos os polícias que estavam… descalços. Nesta matéria os deputados portugueses não andam longe.

Registe-se que, para bem do anedotário nacional e internacional (na vertente dos criminosos), o Comandante-geral da Polícia (do MPLA), Paulo de Almeida, defendeu o uso de “meios desproporcionais” para responder efectivamente contra ameaças ao Estado. E assim sendo, disse Paulo de Almeida, a resposta da polícia no caso de Cafunfo, bem como nos massacres de 27 de Maio de 1977 (que PS, PSD, PCP e BE também não sabem o que foi), foi em legítima defesa.

O comandante-geral da Polícia Nacional afirma (como aliás fez o seu primeiro presidente, Agostinho Neto, ao manda massacrar milhares de angolanos em 27 de Maio de 1977), que na defesa da soberania de um Estado não pode haver proporcionalidade, como defendem as… pessoas.

Paulo de Almeida avisou que “aqueles que tentarem invadir as esquadras ou qualquer outra instituição para tomada de poder, vão ter resposta pronta, eficiente e desproporcional da Polícia Nacional” do MPLA. Por alguma razão a Polícia é tão forte com os fracos mas bate com as patas no mataco a fugir velozmente quando o adversário é forte.

“Você está a atacar o Estado angolano (leia-se MPLA) com faca, ele responde-te com pistola, se você estiver a atacar com pistola ele responde com AKM, se você estiver a atacar com AKM, ele responde com bazuca, se você estiver a atacar com bazuca, ele responde com míssil, seja terra-terra, terra-mar ou ainda que for um intercontinental, vai dar a volta depois vai atacar”, referiu com o brilhantismo de um gorila anão (sem ofensa para este primata) o Comandante Paulo de Almeida.

E, enquanto o míssil “intercontinental vai dar a volta depois vai atacar”, o Presidente João Lourenço (lídimo discípulo de Agostinho Neto e Eduardo dos Santos) fez do silêncio conivente com a barbárie e com as explicações de quem, por ter uma espécie de cérebro no intestino, sempre que fala expele porcaria, a sua principal arma. É, claro, um direito constitucional que tem.

Compreende-se que o Presidente tenha dificuldades em encontrar alguém com o mesmo nível de Paulo de Almeida para pôr a comandar a sua polícia. Estamos, contudo, em crer que qualquer descendente do Nkan Daniel conseguiria falar do míssil “intercontinental vai dar a volta depois vai atacar”… ou ser deputado em Lisboa.

“O que aconteceu foram elementos que foram atacar a nossa unidade, às quatro horas da manhã. Não foram fazer uma participação de uma ocorrência, não foram a um banco de urgência, que são as unidades que têm piquete para atendimento ao público. Foram com catanas, armas, meios contundentes, feiticeiros, para atacar a unidade“, disse Paulo de Almeida. Isto, é claro, sem referir os ataques dos catuituís que estavam nas mangueiras próximas e que foram avisados que Paulo de Almeida iria disparar mísseis intercontinentais, os tais que dão a volta (ao bilhar grande) e depois voltam a atacar…

“Eles não foram lá com lenços brancos, ninguém aqui perguntou como é que estão os nossos feridos, o oficial da polícia que apanhou machadada e catanada (…) o oficial das FAA que lhe deram catanadas, queimaram-lhe, ninguém pergunta, não são pessoas”?, questionou.

Por isso, se justificou o fuzilamento já que, segundo Paulo de Almeida, a acção da polícia foi de legítima defesa e “foi assim que houve essas mortes”. Registe-se que, apesar do seu brilhantismo oratório (tipo míssil intercontinental), o Comandante não esclareceu que antes de serem assassinados os angolanos estavam… vivos.

Recorde-se que o então Comissário Chefe da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, dizia em Dezembro de 2015 que as últimas manifestações convocadas pelos partidos da Oposição tinham como objectivos a tomada do poder, um golpe de Estado, portanto, motivo pelo qual as forças de segurança as impediram. Nessa altura foi “capturado”, tal como agora na Lunda, um vasto arsenal bélico, com destaque para umas centenas de… cartazes contra o regime.

A Polícia Nacional afirma, reafirma, continua a afirmar ter provas mais do que cabais que provam que esses meliantes (hoje já são terroristas) pretendiam mesmo derrubar o regime. Ontem eram uns, hoje são outros, amanhã seremos todos nós.

Entrevistado pela Rádio Ecclésia sobre o balanço das actividades desenvolvidas pela Policia Nacional, eis que o então seu Segundo Comandante Geral sacou da pistola, perdão, da cartola, a mais bombástica revelação:

“Temos provas de que as orientações eram de um grupo chegar ao Palácio do Governo Provincial, outro grupo saía do Baleizão para chegar ao Palácio Presidencial. As provas recolhidas sustentam a tese de que o objectivo da última manifestação era o assalto ao poder”, garantiu na altura (na altura ainda não estavam disponíveis os mísseis intercontinentais) Paulo de Almeida.

Paulo de Almeida disse que “a lei permite que os cidadãos ou associações cívicas se manifestem. Os polícias não têm nada que impedir. Mas também a lei diz que essas manifestações têm regras, não podem ser próximas de locais de soberania, não podem ser manifestações que perturbem a ordem e a tranquilidade pública, violentas, que criam instabilidade e ameaçam o pacato cidadão que não tem nada a ver com a confusão”. E acrescentou, para que não restem dúvidas quanto à tentativa de tomar o poder pela força, que “as manifestações não podem ser agressivas, não podem ser desordeiras e nós só actuamos quando elas desrespeitam essas situações”.

Então ficamos todos a saber que a presença de mais de dois cidadãos junto aos locais de soberania é um indício de golpe, que se não forem vestidos com as cores do MPLA e dando vivas ao Presidente os manifestantes serão considerados agressivos, que se andarem a colar cartazes entram na categoria, potencialmente golpista, dos desordeiros.

Paulo de Almeida sublinhou também que a Polícia Nacional sabe quais são as intenções dos manifestantes. E sabe com certeza. Se até consegue saber o que os cidadãos pensam… E então no que pensavam esses golpistas? O Comandante responde: “O público pode não saber isso, mas nós sabemos, então agimos em conformidade. Eu sei que isso não vai agradar às pessoas mas a verdade é esta. Nós estamos aqui para garantir a segurança de todos”.

De todos é como quem diz. De todos os bons, os do MPLA, queria dizer Paulo Almeida. Os outros, chamem-se Manuel de Carvalho Ganga, Cassule ou Kamulingue, não contam como cidadãos e, sempre que possível, devem entrar a cadeia alimentar dos jacarés.