• Post category:Mercado

Empresas Públicas com prejuízos de 708 mil milhões Kz em 2020

Empresas Públicas com prejuízos de 708 mil milhões Kz em 2020

As 65 empresas do Sector Empresarial Público (SEP) que apresentaram os relatórios e contas ao Instituto Nacional de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) registaram prejuízos de 708 mil milhões kz em 2020, de acordo com cálculos do Mercado com base nos relatórios das instituições. Os prejuízos de 708 mil milhões Kz das 65 empresas comparam com as perdas de 300 mil milhões que as mesmas registaram em 2019.

Subdivididas em dois sectores: financeiro e não financeiro, relativamente ao primeiro, o Banco de Poupança e Crédito (BPC) contabilizou perdas de 524,9 mil milhões Kz, as maiores da história empresarial angolana, que empurrou o sector para o vermelho. A Recredit, com 237 mil milhões, foi a segunda instituição financeira que contribuiu negativamente para os prejuízos de 667, 3 mil milhões Kz do sector financeiro. Sem o BPC e a Recredit, o sector registou lucros na ordem dos 94,7 mil milhões Kz.

A 31 de Março de 2020, o BPC assinou com a Recredit um contrato de cedência de créditos no montante bruto de 950,97 mil milhões kz, em que o banco cede a Recredit cerca de 80% da sua carteira de crédito malparado, com desconto de 94%, contra a entrega de Obrigações do Tesouro, cujo justo valor era de cerca de 57 mil milhões kz.

Em Maio último, no final da primeira Reunião do Comité de Estratégia de Monitoramento (CEM) da Recredit, o presidente do conselho de administração, Walter Barros, revelou que, em 12 meses, a instituição tinha recuperado 7,8 mil milhões Kz do malparado do BPC, esperando resgatar dos devedores 19 mil milhões Kz em 2021.

A Crowe que auditou as contas das duas instituições, é de opinião que não é possível a Recredit aferir, com rigor, o valor que será recuperado da carteira adquirida ao BPC, nem divulgar a informação obrigatória requerida pelas Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS), que é decorrente da insuficiência de informação, bem como outras divulgações associadas a esta situação.

Já no sector não financeiro, que acumulou prejuízos de 68,4 mil milhões kz, a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) foi a que mais prejuízo registou, com cerca de 190 mil milhões kz. A ENDE levou seis reservas da Ernst & Young (EY) às suas contas de 2020. Segue-se a Angola Telecom com 32,5 mil milhões e a PRODEL com 32 mil milhões, como os piores registos do sector não financeiro.

Os lucros

No que concerne aos lucros, 28 das 58 empresas do sector não financeiro que apresentaram o relatório e contas ao IGAPE registaram resultados positivos, com destaque para a Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda, EP (ELISAL) que registou lucros de 88,2 mil milhões kz em 2020, seguida do Porto de Luanda e pela Sociedade Gestora de Aeroportos, S.A (SGA), com 27,2 e 20,6 mil milhões Kz, respectivamente.

No sector financeiro, quatro das sete empresas registaram lucros, nomeadamente, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), com 74,6 mil milhões kz, ENSA – Seguros de Angola, S.A, com 17,7 mil milhões, Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), com 1,8 mil milhões e o Banco de Comércio e Indústria, SA (BCI) com 0,7 mil milhões.

Relativamente aos activos, no sector não financeiro, a Sociedade de Desenvolvimento da ZEE Luanda-Bengo, os Caminhos de Ferro de Benguela (CFB) e a Empresa de Produção de Electricidade (PRODEL) lideram a lista dos maiores activos, com mais de um bilião kz, cada, enquanto a Empresa Nacional de Instalações Especiais (INSTAL) com 12 milhões Kz é a que menos activo tem.

Embora em falência técnica, o BPC destaca-se como a empresa pública do sector financeiro com maior activo, registando 2,4 biliões kz, seguido pelo grupo ENSA, EP com 2,0 biliões kz em activo em 2020.