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Angola perdeu 537 mil postos de trabalhos formais em 2020 e “ganhou” 786 mil informais

Angola perdeu 537 mil postos de trabalhos formais em 2020 e “ganhou” 786 mil informais

O País perdeu 537 mil postos de trabalho no ano passado, com a taxa de desemprego da população com 15 ou mais anos a subir dos 32,0%, em 2019 para os 32,3%, o que significa que 4.857.368 angolanos estavam desempregados durante o período em referência, indicam os dados consolidados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) publicados na semana passada.

De acordo com o Inquérito Sobre o Emprego em Angola em 2020, 10.174.459 estavam empregadas, sendo que 80,40% trabalhavam no mercado informal e apenas 19,60% tinham empregos formais, que garante protecção social. Contas feitas, em vez dos 467 mil postos de emprego formais que se terão perdido no ano passado – segundo o relatório do INE sobre o emprego no IV trimestre de 2020 publicado no final de Janeiro deste ano – afinal perderam-se 537 mil postos de trabalho formais, uma diferença de 69.618 pessoas.

Após cinco recessões consecutivas, com uma quebra substancial no consumo, é precisamente o mercado formal de trabalho o mais afectado, já que centenas de empresas têm encerrado actividade. Assim, o mercado informal acaba por ser a única solução que os angolanos têm para garantir o sustento das famílias.

Jovens são os mais afectados pelo desemprego

No ano passado, 56,3% dos desempregados, equivalente a 2.736.632 pessoas, eram jovens entre os 15 e os 24 anos. A taxa de desemprego na área urbana foi de 44,5%, cerca de 3 vezes superior à da área rural (15,8%), com uma diferença de 28,7 pp. Entre os jovens com 15-24 anos o desemprego foi estimado em 55,2%, sendo nos homens de 55,4%, e nas mulheres de 55,0%, apresentando uma diferença de 0,4 pp.

Quanto ao mapa dos desempregados, a província da Lunda Sul foi a que registou a maior taxa, com 53,0% e as províncias do Cuanza Sul e Uíge com os indicadores mais baixos. De acordo com o INE, as mulheres, com 54,8%, lideram o número dos desempregados e têm em média 27 anos.

Especialistas entendem que o aumento dos desempregados, nas zonas urbanas é “culpa” do quadro macroeconómico negativo que tem diminuído o número de empresas a operar e explicam que a recessão económica que o País vive foi determinante para o agravar do fenómeno do desemprego em Angola.