Governo aposta na construção de duas barragens para combater a seca no Cunene

Governo aposta na construção de duas barragens para combater a seca no Cunene

O Presidente da República, João Lourenço, anunciou, ontem, na província do Cunene, o arranque, em Outubro próximo, da construção das barragens de Calucuve e de Ndúe, no âmbito dos projectos estruturantes para combater a seca na região.

No mesmo período, segundo o Chefe de Estado, que falava em reunião com os membros do governo do Cunene, no quadro da visita de dois dias que efectua à região, terá início o projecto de recuperação de diques e açudes existentes no município do Curoca, 334 quilómetros da cidade de Ondjiva.

Para o combate efectivo desta problemática, o presidente João Lourenço informou também o arranque, no próximo ano, do projecto de transferência de águas para regiões localizadas à margem direita do Rio Cunene nomeadamente, as sedes municipais do Cahama, Oncocua e Chitado, bem como a reabilitação da repreza Cova do Leão.

“Isto significa dizer que o sofrimento da população e do animais, a partir de 2023 em diante, quando os projectos forem concluídos, o quadro o bastante negativo vai mudar de forma radical”, sublinhou.

João Lourenço disse que deslocou-se ao Cunene para dizer que os constrangimentos financeiros que existiam para o início destas obras estão ultrapassados.

O estadista reiterou a determinação do Executivo de acabar com o problema da seca cíclica que afecta a região há vários anos, dando a população a possibilidade de produzir alimentos.

Para combater a seca, inicialmente o Executivo havia gizado três projectos estruturantes. O primeiro projecto, avaliado em 44 mil milhões 358 milhões 360 mil 651, em execução há um ano, tem a ver com a construção do sistema de captação no Rio Cunene.

Composto de dois lotes, sendo o primeiro a construção da captação no Rio Cunene do sistema de bombagem, da conduta pressurizada, do canal aberto a partir de Cafu até Cuamato e de 10 chimpacas.

O lote 2 tem a ver com a construção de dois condutores, que partem da estrutura de derivação de caudais do canal condutor geral, ou seja, do Canal Condutor Oeste, que parte do Cuamato até Ndombondola, com extensão de 55 quilómetros, e do Canal Condutor Este, que sai do Cuamato até Namacunde, com cerca de 53 quilómetros.

A Barragem de Calucuve vai ser erguida na bacia do Cuvelai, também chamada de barragem 128.

Orçado em 96 mil milhões 420 milhões 460 mil 427 kwanzas, o mesmo está associado a uma rede de canais, com uma extensão de 111 quilómetros e mais 44 chimpacas.

A do Ndué, que vai custar aos cofres do estado<strong> </strong>85 mil milhões 199 milhões 661 mil e 566 kwanzas, vai ser construído também na bacia do Cuvelai, mas na zona do Rio Ndué. Terá uma rede de canais adutores de 75 quilómetros e mais 15 chimpacas.

Portanto, no total, quando os três projectos estiverem concluídos, terá uma rede de 344 quilómetros de canais, uma estação de bombagem e 89 chimpacas.

Calucuve terá capacidade de acumular 100 milhões de metros cúbicos de água, tal como a do Cafu, enquanto a do Ndué terá 145 milhões.