• Post category:DW África

Costa Júnior e Chivukuvuku são os mais cotados para liderar Frente Patriótica Unida

Costa Júnior e Chivukuvuku são os mais cotados para liderar Frente Patriótica Unida

Apesar de Costa Júnior ser o favorito, alguns preferem Chivukuvuku na liderança da aliança da oposição. Veja argumentos de integrantes da sociedade civil e da oposição sobre o nome ideal para estar à frente da aliança.

O presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto Costa Júnior, e o líder do Partido do Renascimento Angola – Juntos por Angola – Servir Angola (PRA-JA), Abel Chivukuvuku, são considerados os nomes que disputam a liderança da Frente Patriótica Unida (FPU) – a aliança de oposição que pretende lutar pela alternância política nas eleições gerais de 2022, em Angola.

A DW África perguntou à audiência sobre os nomes preferidos para liderar a FPU. Das 281 interações em duas publicações no Facebook até à manhã desta sexta-feira (01.10), 67 pessoas opinaram. Mais de 40% das pessoas que responderam à pergunta disseram achar que Costa Júnior irá liderar a aliança. 

Um certo favoritismo a Adalberto Costa Júnior é considerado natural pelo ativista Fernando Sakayela Gomes, coordenador do Projeto Agira, porque a UNITA é a maior máquina partidária neste cenário.

“Adalberto Costa Júnior seria apresentado como a figura para liderar este processo vasto que visa garantir a alternância política, mas a distribuição de outros “players” no xadrez político deverá ser feita de modo a garantir e a salvaguardar os interesses preconizados pelo grupo”, avalia.

O estatuto jurídico da FPU ainda não foi publicado nem se sabe quem será o cabeça de lista nas eleições do próximo ano.  O número um da FPU deverá ser conhecido na próxima terça-feira (05.09), o dia em que a aliança com UNITA, PRA-JA e Bloco Democrático (BD) será formalizada.

Segundo a imprensa angolana, a FPU também já provoca efeitos relevantes em outros segmentos da oposição angolana. O Novo Jornal publicou esta quinta-feira (30.09) que o membro da Frente Patriótica Unida e presidente do BD, Filomeno Vieira, abandonou em definitivo a coligação CASA-CE, que integrava desde 2017.

Especulações e sigilo

Há meses que se especula sobre o assunto. Em maio, o Novo Jornal noticiou que Adalberto Costa Júnior teria sido o escolhido para liderar a Frente Patriótica Unida e Abel Chivukuvuku, do PRA-JA seria o número dois na lista.

Mas a Frente Patriótica fecha-se em copas. Chivukuvuku disse há dois meses que, mais importante do que quem vai liderar a FPU, é assegurar uma mudança política nas próximas eleições.

Os simpatizantes da oposição mostram-se divididos. O eleitor Marcos Sequeira acredita que, se for Adalberto Costa Júnior o escolhido, a FPU poderá ter boas hipóteses. Para o empreendedor, a UNITA está melhor posicionada para derrubar o histórico partido no poder, Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

“Já sabemos que com o MPLA o país não anda. Por isso, vamos lutar com Adalberto [Costa Júnior] a liderar a FPU. É a melhor coisa, senão não vamos conseguir tirar o MPLA do poder”, comenta o jovem. 

FPU tentará superar MPLA (foto) na preferência popular em 2022

“Muitos atritos”

Mas há quem diga que Abel Chivukuvuku seria o líder ideal para a Frente Patriótica Unida. O eleitor Dílson Ferraz o líder do PRA-JA é a figura ideal por causa dos rumores de instabilidade na UNITA. O estudante de Telecomunicações e Eletrónica também considera que Chivukuvuku é uma referência nacional.

“Não acredito que Adalberto seja uma referência. Adalberto Costa Júnior tem-se envolvido em muitos atritos ultimamente”, diz o estudante que defende a formação de um governo inclusivo caso a Frente Patriótica Unida vença as eleições do próximo ano.

Os simpatizantes da oposição entrevistados pela DW África não creem que um eventual deslocamento do MPLA para a oposição significará um “drama” para o cenário político do país.

“Hoje somos oposição e amanhã o partido no poder e vice-versa. Os angolanos querem a democracia como meio de conquistar o desenvolvimento económico, social para o nosso país”, explica Tânia Patrícia, estudante de Direito, lembrando que essa mudança faz parte da democracia.