Diversificação da economia é uma questão de “vida ou morte”

Diversificação da economia é uma questão de “vida ou morte”

O Presidente da República, João Lourenço, afirmou que o país está a procurar desenvolver outros sectores da eco- nomia fora do ramo petrolífero, considerando a diversificação da economia “uma questão de vida ou morte”.

Em entrevista concedida ao diário norte-americano The Wall Street Journal, emitida, ontem, pela Televisão Pública de Angola(TPA), João Lourenço afirmou que o país não pode, de forma nenhuma, a médio e longo prazo, continuar a depender quase que exclusivamente da exportação do petróleo bruto.

“Para nós, isso é uma questão de vida ou morte. Ou seja, ou temos a capacidade de conseguir este objectivo de diversificar a economia ou então vamos ter problemas muito sérios”, sublinhou.  

Na entrevista, que será publicada na íntegra no The Wall Street Journal, no próximo fim-de-semana, João Lourenço falou, também, da dívida externa, da Co-vid-19, ambiente, energias renováveis, desminagem, industrialização, telecomunicações e das reformas realizadas nos últimos quatro anos.  

Recuperação de activos


O Presidente da República estimou em mais de quatro mil milhões de dólares, repartidos entre dinheiro vivo e bens, os activos recuperados, até à data, no âmbito do combate à corrupção. 

O Chefe de Estado esclareceu que parte dos activos recuperados estão a ser privatizados.  

“São activos públicos e que dentro de uma nova política de gestão da nossa economia entendemos que o Estado não se deve manter com eles e estão num programa de privatização”, sublinhou.

Na entrevista, João Lourenço precisou ainda que são activos construídos e adquiridos com recursos públicos mas que “infelizmente” estavam a beneficiar um reduzido círculo de pessoas.


Revisão da Constituição


No que diz respeito à Lei de Revisão Pontual da Constituição, o Presidente da República esclareceu que não houve nenhuma contestação nem voto contra. “Houve, sim, uma certa reclamação por parte dos partidos da oposição em relação à Lei Orgânica das Eleições Gerais”, clarificou.

Para o Chefe de Estado, o pedido que a oposição fez “é um pedido normal”, acrescentando que o Presidente da República pode, se assim o entender, devolver a lei aprovada à Assembleia Nacional para voltar a analisar uma ou outra questão que consta do mesmo diploma.

“Eu poderia, se assim o entendesse, limitar-me a promulgar a lei, como também podia atender ao pedido da oposição em devolver a lei ao Parlamento, coisa que o fiz”, insistiu.

Regresso de JES

Questionado sobre as implicações do regresso, a Angola, do ex-Presidente da República, José Eduardo dos Santos, João Lourenço referiu que a coisa mais natural é um cidadão nacional regressar ao seu próprio país.
 “Não pode ter implicações de nenhuma ordem, sobretudo tratando-se de alguém que dedicou toda a sua vida ao país, foi Chefe de Estado pouco menos de quatro décadas, é presidente emérito do mesmo partido em que sou o presidente”, sublinhou.

Para o Presidente da República, um cidadão com todos estes predicados e que esteve fora por algum tempo, por razões de saúde, e decidiu regressar ao país, é o mais natural que pode acontecer. “Só temos de dizer seja bem-vindo”, sublinhou.    
João Lourenço informou, também, que ainda não esteve com o ex-Presidente. “Não nos vimos, mas falámos ao telefone. Não houve a possibilidade de nos ver-mos. Isso vai acabar por acontecer algum dia e não precisa de ser forçado. Vai acontecer naturalmente”, reforçou.

O Presidente da República tranquilizou que o encontro com José Eduardo dos Santos não será desconfortante. “Será um encontro absolutamente normal”, assegurou.